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Quinta-Feira, 14 de Julho de 2005, 07:26

Mãe e filha, enfim juntas, 40 anos depois

Da Reportagem

SIMONE TOBIAS

Todas os dias e noites, a doméstica Sueli Maria da Silva, de 60 anos, recorda uma cena que viu e nunca mais saiu de sua lembrança: a imagem de seus dois filhos — um menino e uma menina — dormindo. Esta foi a última vez que os viu, há 40 anos. ‘‘Eu só não queria morrer sem ter a oportunidade de reencontrar meus filhos, pelo menos mais uma vez’’.
  E foi isso que aconteceu. Na manhã de ontem, o sonho desta mãe se tornou real. Não foi um encontro, mas um reencontro com a filha, graças a um site de busca de pessoas desaparecidas (www.desapareceu.org) mantido pela ONG Desapareceu.
  Para que o reencontro acontecesse, também houve o apoio de uma vizinha de Sueli, a engenheira eletricista Maristela Barbosa Miranda, que cadastrou, há uma semana, os filhos da amiga no site.
  Uma moça — identificada apenas como Marcela de Alencar — levantou as pistas sobre o paradeiro de mãe e filha e a Rede Globo, por meio do Programa Ação, promoveu o encontro juntamente com a ONG, na manhã de ontem, na sede da entidade. No entanto, foi feita uma surpresa para Sueli, que desconhecia o encontro. Para ela, seria apenas uma reportagem sobre o site.
  Sueli mora em Guarulhos e veio para Santos em companhia da amiga que facilitou a ação. Em mãos, as certidões originais de nascimento dos filhos e uma foto deles ainda bebês. Com bastante simplicidade e sem imaginar que veria sua filha, ela começou a contar o motivo da separação dos filhos.
  ‘‘Eu me casei nova e acabei brigando com o pai das crianças porque eu descobri uma traição dele. Na época, eu fui para a casa de minha mãe, em Guarulhos, e as crianças ficaram com a minha sogra. Este é meu maior arrependimento’’. O pesadelo de Sueli só estava começando. O marido tentou voltar com ela, que o rejeitou, e ele se mudou com as crianças para o Paraná.
  Há 15 anos, ela descobriu que todos estavam vivendo em Cascavel. ‘‘Estive na cidade procurando por eles, mas não os encontrei. Continuei minha procura e chorei muito, durante todos estes anos’’.
  No último encontro, a filha, Raquel Rosângela da Veiga, tinha 3 anos e o filho, Carlos Alberto da Veiga, apenas 1.
O reencontro
  Momentos antes do reencontro, Sueli dizia que não podia imaginar como a filha deveria ser fisicamente. Disse também, emocionada, que a mãe faleceu havia sete meses e que o seu sonho era rever os netos. ‘‘Eu já chorei muito, procurei e sofri por conta desta história’’.
  Minutos depois entra uma jovem senhora, de 43 anos: ‘‘A senhora é a Sueli? Eu sou a Raquel’’, disse em pé, de braços abertos à espera de um abraço.
  No mesmo instante, Sueli correspondeu e foi ao encontro da filha. Um abraço com a intensidade de muitos anos de saudade. Um reencontro emocionante.
  A mãe perguntou para a filha onde estava seu irmão. A resposta não poderia ser pior: ‘‘Deus já recolheu, faz 15 anos’’, disse Raquel.
  Os sentimentos estavam muito misturados: a felicidade de rever Raquel e a tristeza pela notícia da morte do filho. Neste turbilhão de emoções, Raquel apresentou à mãe três de seus cinco filhos. ‘‘Agora minha família cresceu. Estou completa’’, disse Sueli. ‘‘É um sonho. Só pode ser’’.
  Raquel pensou, nos últimos anos, que a mãe estava morta. ‘‘Nos Dias das Mães, eu esperava minha mãe chegar, o que nunca aconteceu. Agora, será diferente’’.
  O reencontro seria, de fato, inevitável. Afinal, Raquel mora em Guarulhos, a mesma cidade que a mãe. ‘‘Eu estou te olhando... Acho até que já te vi em algum lugar. E eu mãe? Já tenho algum irmão?’’ Com o brilho nos olhos de quem já foi reconhecida e até chamada de mãe, Sueli responde afirmativamente, dizendo que Raquel tem um irmão de 19 anos.
  Este era apenas o começo de muitas conversas para colocar em dia 40 anos de histórias. A realização de um sonho de duas mulheres separadas pelo destino e que agora pretendem ficar mais próximas.
Desapareceu
  Em 25 de fevereiro último, a ONG Desapareceu promoveu o encontro entre Cleonice da Cunha, de 45 anos, e seu pai, Eurides Pereira da Silva, de 74, que não se viam havia 42 anos.
  ‘‘Esta é mais uma realização. É muita emoção ver o meu projeto surtindo efeito. É muito fácil fazer alguém feliz, basta querer. A satisfação dessas famílias é meu maior pagamento’’, destaca o presidente da ONG, Stylianos Mandis Júnior

A ONG DESAPARECEU agrade o apoio ao Jornal A TRIBUNA de Santos SP e a jornalista Simone Tobias

Fonte: http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?cod=207380&opr=103

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